Como se calcula e por que precisamos saber o valor genético dos nossos animais.

Como se calcula e por que precisamos saber o valor genético dos nossos animais.

30/07/2014



Introdução

Dentro de um programa de melhoramento genético, uma das importantes etapas na sua execução, é a obtenção dos valores genéticos dos indivíduos que compõe a população sob seleção para a escolha (SELEÇÃO) daqueles que serão os pais da geração futura.

Neste caso, a seleção é realizada após a obtenção dos valores genéticos dos animais e serão escolhidos então, aqueles que apresentarem os maiores valores genéticos para serem utilizados como reprodutores. Desta maneira, conseguimos aumentar na população selecionada, através da utilização de animais com genética superior comprovada, a freqüência dos genes desejados para a característica de interesse.

Após a disseminação da inseminação artificial, onde um touro com sêmen coletado e comercializado pode deixar um número muito grande de descendentes, foi possível se avaliar geneticamente um reprodutor pelo desempenho médio de sua progênie (Teste de Progênie) com precisão que pode chegar a 99% (que é o que chamamos em genética de ACURÁCIA ou CONFIABILIDADE). Como foi citado anteriormente, exatamente pela possibilidade de um touro deixar na população um número muito maior de descendentes do que uma matriz, é que sua contribuição para o melhoramento genético de uma população é muito maior. Nos últimos anos, com os adventos de tecnologias da área de reprodução como transferência de embriões e FIV, a contribuição das matrizes aumentou um pouco, porém continua bem menor que a dos touros.

Assim sendo, de maneira resumida e prática, colocaremos neste texto os princípios da avaliação genética e sua importância.

Princípios da Genética

Um dos princípios básicos da genética é que toda característica que um animal expressa (produção de leite, carne, ovos, cor do pelo, tamanho, etc) é fruto da sua composição genética e da influência do meio ambiente, como na equação abaixo:

CARACTERÍSTICA = GENÉTICA + AMBIENTE

Algumas características sofrem maior influência da genética, como por exemplo, a cor do pelo; e outras, maior influência do meio ambiente, como é o caso da produção de leite. De maneira bastante simplificada podemos dizer que a relação que existe entre as influencias que a genética e o meio ambiente exercem sobre a expressão de uma característica é o que chamamos em genética de HERDABILIDADE. A herdabilidade é um parâmetro genético de extrema importância e seus valores variam de 0 a 1 ou 0 a 100%. Quanto maior o seu valor, maior é a influência da genética na variabilidade apresentada pela característica. Na produção de leite, por exemplo, com herdabilidade média de 0,30 ou 30%, dizemos que a maior parte da variabilidade encontrada é fruto da influência do meio ambiente.

Nas avaliações genéticas, através de programas modernos de computação, procura-se estimar, através da identificação dos diferentes componentes genéticos e ambientais que influenciam a característica estudada, qual é o VALOR GENÉTICO, de cada animal que tenha informação própria ou de parentes coletadas em um programa de melhoramento genético. No caso de touros avaliados para produção de leite, sempre teremos apenas informações de parentes. Quanto mais próximos os parentes, mais influentes serão as informações. Um pai tem em comum 50% dos genes com os filhos. Um avô tem em média, 25% dos genes em comum com os netos, e assim por diante.

O VALOR GENÉTICO de um animal, expressa em termos numéricos, o quanto de uma característica este pode passar para sua progênie. Como sabemos que cada pai contribui com 50% da genética de cada filho, o mais utilizado nos sumários são as PTAs – CAPACIDADE PREVISTA DE TRANSMISSÃO – que nada mais é do que metade do VALOR GENÉTICO de um animal, visto que cada pai só “passa” para seus descendentes METADE dos seus genes.


O Controle Leiteiro e a Avaliação Genética

Em um Programa de Melhoramento Genético visando o aumento da produção de leite, a principal ferramenta que podemos utilizar é o CONTROLE LEITEIRO. Através das informações obtidas nos controles leiteiros realizados nas diferentes fazendas devem ser indicados além da produção de leite em si, a identificação correta do animal, pai e mãe, fazenda, idade ao parto e data do parto principalmente. Com essas informações, são montados arquivos que depois de rigoroso controle serão submetidos às análises para obtenção dos valores genéticos de cada animal que conste no arquivo. Por este motivo, a qualidade dos dados relativos aos controles leiteiros e animais é a base para o SUCESSO e CONFIANÇA que teremos nos resultados das análises genéticas presentes nos sumários.

Com as informações das lactações de cada vaca, retornamos à nossa equação inicial onde:

Produção de leite = Genética + Ambiente

Na parte genética, entram as informações relativas ao animal e todos os seus parentes com dados disponíveis e é então montada a famosa MATRIZ DE PARENTESCO. Com isso, todos os parentes do animal avaliado exercem influência no valor genético estimado deste, sendo esta influência maior quanto mais próximo for este parente. Outra informação importante é que quanto mais filhas um touro em avaliação possuir, menor será a influência dos demais parentes na sua avaliação genética e maior será a acurácia ou confiabilidade deste valor. Com isso podemos concluir que informações erradas de pedigree exercem influência negativa nos resultados das avaliações genéticas.

Na parte ambiental entram as informações relativas à fazenda, data do parto e idade ao parto; que são os principais componentes ambientais. Com as informações de fazenda e data do parto, se formam os chamados GRUPOS CONTEMPORÂNEOS, que são as vacas com lactações medidas na mesma fazenda e na mesma época dentro de cada ano. Dentro de GRUPOS CONTEMPORÊNEOS, se define que TODAS as vacas são submetidas ao MESMO MANEJO. A não informação de manejos diferenciados para animais dentro do mesmo grupo contemporâneo compromete a avaliação genética superestimando o valor genético daqueles animais que tenham recebido tratamento preferencial.

A idade do animal ao parto é utilizada para corrigir a produção de leite para uma idade padrão, que geralmente é a idade adulta que é calculada para cada raça especificamente. Após as lactações corrigidas para idade ao parto, podemos então comparar as produções apresentadas por animais em idades distintas como, por exemplo, a lactação de uma novilha com a de uma vaca. A correção também se faz para período de lactação, que no caso do PNMGL é de 305 dias. Assim teremos sob análise, lactações corrigidas para idade adulta e em até 305 dias. Isto significa que se uma vaca produzir uma lactação em até 305 dias, é este valor que é analisado; e se a lactação for superior à 305 dias, analisa-se a produção somente até 305 dias.

Neste ponto é muito importante salientar que o controle leiteiro obedecendo a horários e esgota corretos, não seletivo (controle em todo o rebanho até nas vacas de baixa produção) é de fundamental importância para que o resultado da avaliação genética seja o mais confiável possível.


Os resultados

Após todo o trabalho de digitação, inspeção, correção e as análises propriamente ditas, teremos então o valor genético de todos os animais que compõe o banco de dados.

Atualmente, dentro do Programa Nacional de Melhoramento do Gir Leiteiro -PNMGL-todas as fazendas que colaboram com a coleta de informações, enviando os dados de controle leiteiro e genealogia dos seus animais para a EMBRAPA-CNPGL, recebem a avaliação genética dos animais do seu rebanho.

Nesta avaliação, as vacas com lactações aferidas recebem o seu valor genético para produção de leite em 305 dias e podem então ser classificadas dentro de cada rebanho por seu mérito genético. De posse desta ferramenta, o selecionador, através do acasalamento com touros de sua preferência pode selecionar as vacas de valor genético mais elevado para serem mães das vacas e touros das gerações futuras. Com base no valor genético das vacas e dos touros, pode-se estimar o valor genético dos acasalamentos através da soma dos valores genéticos dos pais divididos por 2.

EX:  touro A – valor genético 300kg

        Vaca B – valor genético 100kg

        Progênie – valor genético estimado = 300 + 100 = 400/2 = 200kg


Para conhecer melhor o PNMGL clique http://www.girleiteiro.org.br/pnmgl.php


Para participar do PNMGL entre em contato com a ABCGIL pelo e-mail girleiteiro@girleiteiro.org.br ou pelo telefone 34-3331-8400.

 

Anibal Eugênio Vercesi Filho – Diretor Técnico ABCGIL, IZ-Sertãozinho - SP

Rui da Silva Verneque –Coordenador do PNMGL – EMBRAPA/CNPGL

André Rabelo Fernandes – Coordenador Operacional do PNMGL - ABCGIL


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